quinta-feira, 17 de março de 2011

Caso Tamyres Viegas

Os policiais envolvidos na ocorrência da prisão de Thamires Pereira Vargas, de 19 anos, que morreu nas dependências da Delegacia de Porto Franco, na Terça-Feira de Carnaval, foram transferidos do destacamento de Campestre do Maranhão para o 12º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Estreito. Ontem, laudos confirmaram a morte por enforcamento, mas a família contesta a versão de suicídio e recorreu à Assembléia Legislativa do Maranhão, que ontem discutiu o problema em reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Sem citar nomes dos militares envolvidos, o comandante do Batalhão, tenente-coronel Arquimedes Brito, disse que o pedido de transferência foi dos próprios policiais para evitar possíveis atos de hostilidade de moradores de Campestre, onde a jovem residia. A transferência foi anunciada ontem, uma semana após a morte de Thamires Vargas.

Protesto - As condições misteriosas como a jovem morreu levaram os moradores de Campestre a se manifestar publicamente, exigindo o esclarecimento do episódio. A manifestação realizada na sexta-feira, 11, terminou em confronto com policiais militares do destacamento.

A situação ficou tão crítica que o comando do policiamento acabou solicitando reforço de Imperatriz e Porto Franco. Algumas pessoas foram presas e carros da polícia ficaram danificados. Algumas pedras foram apresentadas pelos policiais como tendo sido usadas pelos manifestantes para atacá-los.

Já os moradores disseram que policiais usaram spray de pimenta, balas de borracha e ainda invadiram casas para prender pessoas que não estavam no movimento. O comando da PM em Estreito disse que foi preciso o uso da força para manter a ordem pública, que só foi garantida após a condução de nove pessoas à delegacia.

Reunião - Depois da manifestação, o prefeito de Campestre, Emivaldo Macedo, vereadores, representantes da Pastoral da Mulher e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais se reuniram para elaborar uma pauta de reivindicações sobre segurança no município. As autoridades solicitaram esclarecimento do caso e a transferência dos policiais envolvidos na prisão da jovem, segundo a PM, durante um tumulto.

O delegado regional de Imperatriz, Francisco de Assis Ramos, determinou ao delegado Eduardo Galvão a instauração de inquérito para apurar a morte da jovem na cadeia. Também foi solicitado um laudo do Instituto de Criminalística, que foi divulgado ontem, indicando morte por asfixia (enforcamento). O laudo assinado pelos médicos José Neto Araújo e Jorge Anchieta constatou que também não houve violência sexual na vítima.

De acordo com a polícia, Tamires Vargas cometeu suicídio por enforcamento depois de ser levada para a delegacia. O fato ocorreu na noite de Terça-Feira de Carnaval, depois que a jovem foi presa por desacato após se envolver em um tumulto. O laudo da polícia aponta que a morte foi por enforcamento, mas a família cobra esclarecimentos sobre os hematomas encontrados no corpo da vítima.

Contestação - A polícia havia informado, assim que o caso foi divulgado, que Thamires Vargas havia cometido suicídio por enforcamento, que a família e amigos da vitimas contestam. Parentes chegaram a revelar que Thamires era alérgica a spray de pimenta, produto que teria inalado durante a ação policial em Campestre.

Ontem, pela manhã, a polêmica sobre a morte de Thamires Vargas foi discutida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Assembléia Legislativa, presidida pela deputada Eliziane Gama. A reunião contou com os deputados Bira do Pindaré (PT), Eduardo Braide (PMN), Edson Araújo (PSL), o prefeito de Campestre, Emivaldo Macedo (PDT) e os vereadores Cícero Miranda (PDT) e Amarildo Macedo (PPS).

“O caso desta jovem é emblemático, pois aconteceu no Dia Internacional da Mulher, e também retrata a situação do sistema prisional maranhense. A população de Campestre e a família da jovem estão revoltadas. Precisamos de esclarecimentos e provas contundentes para saber o que de fato aconteceu", disse a presidente da Comissão, deputada Eliziane Gama.

Durante o encontro, os vereadores da cidade informaram aos parlamentares a versão da população sobre o episódio. O prefeito de Campestre aproveitou também para pedir a instalação de uma delegacia no município. “Que a morte desta jovem seja esclarecida. Precisamos de um delegado de polícia para atender a nossa cidade”, disse o prefeito

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