Os policiais envolvidos na ocorrência da prisão de Thamires Pereira Vargas, de 19 anos, que morreu nas dependências da Delegacia de Porto Franco, na Terça-Feira de Carnaval, foram transferidos do destacamento de Campestre do Maranhão para o 12º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Estreito. Ontem, laudos confirmaram a morte por enforcamento, mas a família contesta a versão de suicídio e recorreu à Assembléia Legislativa do Maranhão, que ontem discutiu o problema em reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH).
Sem citar nomes dos militares envolvidos, o comandante do Batalhão, tenente-coronel Arquimedes Brito, disse que o pedido de transferência foi dos próprios policiais para evitar possíveis atos de hostilidade de moradores de Campestre, onde a jovem residia. A transferência foi anunciada ontem, uma semana após a morte de Thamires Vargas.
Protesto - As condições misteriosas como a jovem morreu levaram os moradores de Campestre a se manifestar publicamente, exigindo o esclarecimento do episódio. A manifestação realizada na sexta-feira, 11, terminou em confronto com policiais militares do destacamento.
A situação ficou tão crítica que o comando do policiamento acabou solicitando reforço de Imperatriz e Porto Franco. Algumas pessoas foram presas e carros da polícia ficaram danificados. Algumas pedras foram apresentadas pelos policiais como tendo sido usadas pelos manifestantes para atacá-los.
Já os moradores disseram que policiais usaram spray de pimenta, balas de borracha e ainda invadiram casas para prender pessoas que não estavam no movimento. O comando da PM em Estreito disse que foi preciso o uso da força para manter a ordem pública, que só foi garantida após a condução de nove pessoas à delegacia.
Reunião - Depois da manifestação, o prefeito de Campestre, Emivaldo Macedo, vereadores, representantes da Pastoral da Mulher e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais se reuniram para elaborar uma pauta de reivindicações sobre segurança no município. As autoridades solicitaram esclarecimento do caso e a transferência dos policiais envolvidos na prisão da jovem, segundo a PM, durante um tumulto.
O delegado regional de Imperatriz, Francisco de Assis Ramos, determinou ao delegado Eduardo Galvão a instauração de inquérito para apurar a morte da jovem na cadeia. Também foi solicitado um laudo do Instituto de Criminalística, que foi divulgado ontem, indicando morte por asfixia (enforcamento). O laudo assinado pelos médicos José Neto Araújo e Jorge Anchieta constatou que também não houve violência sexual na vítima.
De acordo com a polícia, Tamires Vargas cometeu suicídio por enforcamento depois de ser levada para a delegacia. O fato ocorreu na noite de Terça-Feira de Carnaval, depois que a jovem foi presa por desacato após se envolver em um tumulto. O laudo da polícia aponta que a morte foi por enforcamento, mas a família cobra esclarecimentos sobre os hematomas encontrados no corpo da vítima.
Contestação - A polícia havia informado, assim que o caso foi divulgado, que Thamires Vargas havia cometido suicídio por enforcamento, que a família e amigos da vitimas contestam. Parentes chegaram a revelar que Thamires era alérgica a spray de pimenta, produto que teria inalado durante a ação policial em Campestre.
Ontem, pela manhã, a polêmica sobre a morte de Thamires Vargas foi discutida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Assembléia Legislativa, presidida pela deputada Eliziane Gama. A reunião contou com os deputados Bira do Pindaré (PT), Eduardo Braide (PMN), Edson Araújo (PSL), o prefeito de Campestre, Emivaldo Macedo (PDT) e os vereadores Cícero Miranda (PDT) e Amarildo Macedo (PPS).
“O caso desta jovem é emblemático, pois aconteceu no Dia Internacional da Mulher, e também retrata a situação do sistema prisional maranhense. A população de Campestre e a família da jovem estão revoltadas. Precisamos de esclarecimentos e provas contundentes para saber o que de fato aconteceu", disse a presidente da Comissão, deputada Eliziane Gama.
Durante o encontro, os vereadores da cidade informaram aos parlamentares a versão da população sobre o episódio. O prefeito de Campestre aproveitou também para pedir a instalação de uma delegacia no município. “Que a morte desta jovem seja esclarecida. Precisamos de um delegado de polícia para atender a nossa cidade”, disse o prefeito
Nenhum comentário:
Postar um comentário