Tortura policial ainda é realidade no Brasil
Preso é encontrado morto
na delegacia de Campestre
A primeira versão é de que Raimundo Martins
Cunha tenha cometido suicídio por enforcamento,
mas a necrópsia contraria essa hipótese
Foi registrada ontem, no Instituto de Medicina Legal (IML) de Imperatriz, a entrada do corpo de Raimundo Martins Cunha, 34 anos, que foi encontrado morto em uma cela da delegacia do município de Campestre, a 70 quilômetros de Imperatriz.
Raimundo Martins Cunha foi preso por policiais militares em Campestre na quarta-feira (12), porque estava embriagado e teria discutido e agredido a mulher. Ele foi levado para a delegacia e os policiais foram buscar a mulher para dar a sua versão. Quando chegaram, encontraram Raimundo morto.
De acordo com a versão dos militares, ele foi colocado em uma das celas e teria se enforcado usando uma "teresa".
O corpo foi removido para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde foi submetido a necrópsia e o resultado contraria a versão dos policiais, porque - segundo o médico legista - não existe no corpo qualquer vestígio de que Raimundo tenha se enforcado.
De acordo com a necrópsia, o que realmente existe é um hematoma muito grande na cabeça, além de outras escoriações pelo corpo.
A família de Raimundo Martins Cunha vai solicitar à Polícia Civil que investigue o caso, justamente porque o resultado da necrópsia contraria a versão dada pelos policiais de que a vítima tenha cometido suicídio por enforcamento.
O corpo de Raimundo Martins Cunha foi liberado para os familiares no início da tarde e trasladado para a cidade de Campestre, onde será sepultado na manhã de hoje.

ETERNO RETORNO
TORTURA EM PICOS EXPÕE IMAGEM NEGATIVA DO BRASIL NO MUNDO
O recudrescimento da prática policial da tortura em Picos, com imagens que chocam o mundo inteiro, merece a atenção dos organismos nacionais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos
Testículo de vítima de tortura aumentado mais de três vezes em decorrência das lesões causadas por policiais torturadores
O promotor Elói Pereira de Sousa Júnior, titular da 1ª Promotoria da Comarca de Picos (PI), divulgou nota oficial em que reforça sua denúncia de que presos sofreram tortura por parte de policiais militares lotados no 4º Batalhão de Polícia da cidade de Picos (PI), que tem como comandante o Major Wagner Torres.
No dia 1º de outubro próximo passado, o Promotor de Justiça deu voz de prisão a 02 (dois) policiais militares no exato momento em que estes entregavam 03 (três) presos no 2º DP de Picos (PI), por volta das 10h00 da manhã.
Veja trechos da nota
“Os presos se encontravam bastante lesionados, principalmente nos
testículos, que estavam avermelhados e com tamanho aproximadamente 03 (três) vezes maior que o normal, fato comprovado através de 11 (onze) fotografias tiradas ainda no xadrez do 2º DP (anexo 2), exame de corpo de delito realizado por perito médico oficial do Estado do Piauí, Dr. Erivan Gomes Eulálio, e exame de ultra-sonografia do saco escrotal, que concluiu pela existência de vários edemas.
Os presos torturados, suspeitos de praticarem furtos na cidade de Picos, foram pegos pela polícia militar por volta das 04h00 da madrugada e conduzidos à presença do Comandante do 4º BPM, em Picos, Major Wagner Torres, e somente foram apresentados no 2º DP às 09h00 da manha.
O major Wagner Torres já responde a processo, na comarca de Oeiras (PI), acusado da prática de crime de tortura quando era Comandante da Polícia Militar naquela cidade.
Antes do fato ocorrido no dia 1º de outubro, o Delegado Geral da Polícia Civil em Picos (PI), Bel. Antônio Jorge Ferreira, provocado pelo Ministério Público na cidade de Picos (PI), através dos Promotores Elói Pereira de Sousa Júnior e Flávio Teixeira de Abreu Júnior, já havia feito duas requisições ao Delegado Geral da Polícia Civil, Dr. James Guerra, para apurar fatos semelhantes, estando os representantes do Ministério Público aguardando a designação de um delegado especial.
O Promotor Elói Júnior esclarece que não cabe à Polícia Militar investigar crimes, competência atribuída pela Constituição Federal à polícia civil.
(...)
Conclui o Promotor de Justiça Elói Júnior, que é titular da Promotoria da Fazenda Pública na cidade de Picos, que se o Governador do Estado não tomar essa iniciativa, entrará com Ação Civil Pública para obter a medida judicialmente, por desvio de conduta de agente público.”
Teresina (PI), 03 de outubro de 2008.
Elói Pereira de Sousa Júnior
Promotor de Justiça
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